Os deputados estaduais reeleitos Jair Bittencourt (PL) e Chico Machado (PL) usaram a primeira sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) após as eleições para defender o ex-presidente da Casa Rodrigo Bacellar, preso desde março por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante os discursos, os dois parlamentares afirmaram não acreditar que Bacellar tenha qualquer ligação com o Comando Vermelho. O ex-presidente da Alerj é réu por obstrução de investigação envolvendo organização criminosa armada.
A denúncia aponta que Bacellar teria participado de ações para atrapalhar a Operação Zargun, que investigava atividades relacionadas ao Comando Vermelho e tinha entre os alvos o ex-deputado TH Joias, apontado pelas investigações como integrante ou aliado da facção.
Jair diz nunca ter visto ligação de Bacellar com o tráfico
Jair Bittencourt, que possui atuação política na mesma região de Bacellar, afirmou que nunca teve conhecimento de fatos que, na avaliação dele, relacionassem o ex-presidente da Alerj ao crime organizado ou ao tráfico de drogas.
“Eu nunca vi nada que desabonasse o deputado Rodrigo Bacellar no que diz respeito a crime organizado ou tráfico de drogas”, afirmou.
Ao comentar as acusações que levaram à investigação, Jair disse que Bacellar poderia, eventualmente, ter cometido uma obstrução de Justiça, mas contestou qualquer associação direta do ex-parlamentar com o tráfico.
O deputado também criticou a forma como a Alerj e seus integrantes foram tratados durante o período eleitoral. Segundo ele, eventuais crimes precisam ser investigados e individualizados, sem que as acusações contra determinados parlamentares sejam utilizadas para colocar toda a Assembleia sob suspeita.
Chico Machado critica STF e compara situação à ditadura
Na sequência, Chico Machado também saiu em defesa de Bacellar. O parlamentar afirmou ser amigo pessoal do ex-presidente da Alerj e disse nunca ter visto provas que demonstrassem uma ligação dele com o Comando Vermelho.
“Até hoje eu não vi um áudio da ligação do ex-presidente com o Comando Vermelho. Eu até hoje não vi nada escrito ou digitado pelo ex-presidente Bacellar que o comprometesse a ponto de estar hoje preso num presídio federal em Mossoró”, declarou.
Chico também fez críticas à atuação do STF no caso e chegou a comparar a situação enfrentada por Bacellar com o período da ditadura militar no Brasil.
O parlamentar questionou as prisões do ex-presidente da Alerj e argumentou que ninguém deveria ser julgado, condenado ou preso sem, segundo sua avaliação, o devido processo legal.
Bacellar está preso desde março
Rodrigo Bacellar foi preso pela primeira vez em dezembro de 2025, durante uma investigação sobre uma suposta tentativa de obstruir uma operação que apurava a atuação de integrantes do Comando Vermelho.
Posteriormente, a Alerj decidiu pela revogação da prisão em votação no plenário, e Bacellar foi solto. Ele voltou a ser preso em março deste ano, após perder o mandato de deputado estadual em decorrência de um processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A Procuradoria-Geral da República denunciou Bacellar por obstrução de investigação envolvendo organização criminosa armada. A denúncia foi recebida pela Primeira Turma do STF, tornando o ex-presidente da Alerj réu no processo. O caso segue em andamento.




