Um áudio atribuído ao prefeito de Quissamã, Marcelo Batista (PP), foi apresentado em uma denúncia ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) por possível assédio eleitoral contra servidores municipais. O material, compartilhado em grupos de WhatsApp, contém uma fala do prefeito direcionada a secretários e secretárias para que mobilizem suas equipes para o evento “Caminhada pelos amigos Quissamã”, realizado nesta quarta-feira (30). (Áudio ao final da matéria)
No áudio, Marcelo Batista pede que os integrantes do governo conversem com servidores e cobra participação no evento, relacionando o apoio político às oportunidades concedidas pela administração municipal.
“Eu estou quieto, mas observando muita gente. Tanto vocês quanto eles vêm aqui pedir oportunidade, pedir a gente para dar oportunidade. A gente precisa que eles também nos respaldem, então vamos conversar com essas pessoas”, afirma o prefeito em um trecho do áudio.
Na sequência, Marcelo Batista menciona as eleições municipais de 2028 e reforça a cobrança pela participação dos servidores. “Essa eleição já é a média da próxima (eleição municipal de 2028), então quero que os senhores conversem porque eu tô vendo, eu tô observando que tem gente que não tá aqui. É o peso político nosso, se teve oportunidade, depois não adianta chorar e falar alguma coisa”, diz.
O evento “Caminhada pelos amigos Quissamã” foi divulgado nas redes sociais do prefeito Marcelo Batista e da vice-prefeita Sabrine Pereira (PDT). O convite também trazia a mensagem “venha e traga a sua família”.
Segundo o texto da denúncia, há insatisfação entre servidores da Prefeitura de Quissamã em relação à pressão por apoio a candidatos indicados pelo governo.
O assédio eleitoral pode ocorrer por meio de práticas abusivas, ameaças ou coações nas relações de trabalho, com o objetivo de interferir na liberdade de escolha do trabalhador enquanto eleitor. A pressão pode ocorrer de forma direta ou indireta, inclusive por mensagens, e-mails ou orientações de chefias para que determinado candidato seja votado.
O Manchete RJ entrou em contato com a Prefeitura de Quissamã buscando um posicionamento a respeito do áudio e da denúncia do MP. Ainda não houve retorno.
Outros casos
Esta não seria a primeira denúncia de possível assédio eleitoral envolvendo Marcelo Batista durante a atual campanha. Em outro caso, são citadas possíveis ameaças feitas por assessores do prefeito relacionadas à manutenção de cargos públicos, à participação de servidores em atividades políticas e a uma eventual utilização da estrutura administrativa para obtenção de apoio político a candidatos apoiados pelo governo.
Nesta semana, o vereador André de Paulo (PP) utilizou o microfone da sessão plenária para reforçar as denúncias e relatar possíveis abusos atribuídos a assessores do prefeito.
“Isso mostra que o prefeito está muito mal assessorado. Os seus assessores e subsecretários estão falando que ninguém pode andar com o vereador André de Paulo, que se andar ele não vai dar mais emprego. É o que mais tem aí na rua, botando pressão nos outros, dizendo que quem bota é eles, que quem são os cargos são deles”, afirmou o vereador.




