A reestruturação do Goytacaz segue avançando e ganhou mais um capítulo no último fim de semana, um daqueles momentos que vão além do campo de jogo e ajudam a contar uma nova história para o clube alvianil, em sua ‘reconstrução’.
No sábado, o Americano entrou em campo pela segunda rodada da Série A2 do Campeonato Estadual. Já no domingo, foi a vez do Campos A estrear na Série C. Mais do que jogos, as partidas representaram o reflexo de um trabalho iniciado há quase dois anos pela atual diretoria do Goytacaz, focado na reconstrução estrutural e institucional do clube.
O novo momento vivido pelo Goytacaz passa, necessariamente, pela construção de pontes, inclusive com ‘rivais’ históricos. A proposta é clara, de manter a rivalidade restrita às quatro linhas e, fora delas, fortalecer o futebol da cidade por meio de parcerias e cooperação, como a que está em curso com o Americano e tem resultado em melhorias do gramado e reformas no estádio Ary de Oliveira e Souza.
“Aprendi na minha vida como policial federal que os alvos devem ser determinados, e não ficamos criando no imaginário. Aqui, à frente do clube, nesses quase dois anos, temos tido muitos desafios, mas estamos vencendo. Um desses desafios é mostrar para o torcedor que, dentro das quatro linhas, é o chamado ‘tiro, porrada e bomba’, no bom sentido, mas fora temos a obrigação de fortalecer o clube, e esse é um dos caminhos”, afirmou o presidente Sérgio Alves, que lembrou ter sido saudado também por torcedores do Americano que reconheceram e agradeceram a parceria.
Um dos exemplos mais claros dessa nova mentalidade é a parceria com o Americano, que prevê o mando de todos os jogos do alvinegro nas competições estaduais de 2026, incluindo a Série A2 e a Copa Rio. Além disso, o clube em consenso com o Americano também abriu espaço para atender à necessidade do Campos em sua largada na Série C.
Para o presidente do Conselho Deliberativo, Carlos Darcileu Amaral, o entendimento entre os clubes é um ganho coletivo. “O CEO do Americano é um cara do bem, o André já é um amigo que nos faz pensar que nos conhecemos há muitos anos. Claro que ele defende as cores deles e nós as nossas, mas há um entendimento maduro. Os clubes só ganham com isso e os torcedores começam a compreender melhor. O que vimos no sábado é prova disso, com comportamento, zelo e respeito”.
O cenário atual contrasta com a realidade encontrada pela diretoria alvianil ao assumir o clube que estava abandonado em diversos aspectos, incluindo o próprio estádio, que chegou a correr risco de não ter mais condições de recuperação.
Leandro Nunes, vice-presidente do Goytacaz relembra que, ainda em julho de 2024, durante a primeira reunião na Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), o clube já sinalizava a intenção de transformar o estádio em um espaço capaz de atender outras equipes. “Perguntaram se serviria ao Americano também, e garantimos que sim. Mostramos que não era conversa fiada. Hoje, o que temos feito mudou o olhar sobre o clube, que infelizmente era mal visto. Tudo o que conquistamos em 2025 dentro de fora de campo também tem muito dessa união, porque em 2025 também tivemos uma parceria firmada com o Americano, através do ex-presidente Wagner Xavier, que foi quem intermediou na ocasião”.
O reconhecimento institucional também começou a aparecer. Na última semana, o presidente da Ferj, Rubens Lopes, declarou publicamente, durante Assembleia Geral com representantes de todas as divisões estaduais, apoio ao processo de recuperação do Goytacaz, classificando como “covardia” as dificuldades enfrentadas pelo clube.
Para Sérgio Alves, esse respaldo reforça a convicção de que o caminho adotado é o correto. “É mais uma demonstração de reconhecimento de que, mesmo com muitas dificuldades, estamos no rumo certo”, afirmou o presidente, adiantando que novas conquistas devem ser anunciadas em breve.
Entre desafios e avanços, o Goytacaz vai reconstruindo não apenas sua estrutura, mas também sua imagem dentro e fora de campo em um movimento que busca reposicionar o clube como protagonista no cenário esportivo regional. Para 2026, a diretoria segue buscando parcerias e caminhos para montar elencos para as disputas da Copa Rio, em junho, e o estadual da Série B1, em setembro.





