O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento de uma denúncia relacionada ao vazamento de informações sigilosas de uma operação contra o Comando Vermelho. O caso é analisado pela Primeira Turma da Corte e envolve cinco denunciados, entre eles o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, o ex-deputado estadual TH Joias e o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto.
O julgamento ocorre no plenário virtual da Primeira Turma e vai até o dia 21. O ministro Alexandre de Moraes é o relator do caso e foi o primeiro a apresentar voto. Ele se manifestou pelo recebimento da denúncia e, consequentemente, pela transformação dos cinco denunciados em réus.
Além de Bacellar, TH Joias e Macário, são denunciados Jéssica de Oliveira Santos, esposa de TH Joias, e Thárcio Nascimento Salgado, suspeito de lavar dinheiro do tráfico da favela de Senador Camará, na Zona Oeste do Rio. Os três primeiros estão presos.
Moraes votou ainda para tornar Macário réu por violação de sigilo funcional e Thárcio por favorecimento pessoal. As demais acusações estão relacionadas à suposta obstrução de investigação envolvendo organização criminosa armada.
Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo teria atuado entre os dias 2 e 3 de setembro de 2025 para vazar informações sobre a Operação Zargun, permitindo que TH Joias, então deputado estadual e um dos principais alvos da ação, retirasse objetos de sua residência antes da chegada dos policiais.
O ministro afirma que os denunciados teriam atuado para obter e repassar informações sigilosas sobre medidas contra integrantes do Comando Vermelho, possibilitando a retirada de materiais de interesse da investigação dos locais que seriam alvo de buscas.
Segundo a denúncia, o desembargador teria violado o sigilo funcional ao repassar informações sobre operações policiais que estavam em preparação. De acordo com a PGR, ele sabia quando e como as ações seriam realizadas e mantinha amizade com Bacellar, com quem teria se encontrado pessoalmente.
Para a Procuradoria, Bacellar e TH Joias também teriam usado os cargos públicos para atrapalhar investigações relacionadas à facção criminosa.




