O estado do Rio de Janeiro aparece entre as cinco unidades da federação com maior inadimplência do Brasil, segundo o Ranking de Competitividade dos Estados de 2026, divulgado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). O Rio ocupa a 23ª posição nacional no indicador, ficando à frente apenas de Mato Grosso do Sul (24º), Amazonas (25º), Distrito Federal (26º) e Amapá (27º).
O levantamento considera a proporção de consumidores inadimplentes em relação à população com 18 anos ou mais. Quanto menor o percentual de pessoas com dívidas em atraso, melhor a colocação no ranking. Os dados utilizados são da Serasa e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes a 2025.
A inadimplência integra o pilar Potencial de Mercado, responsável por 9,1% da nota geral do Ranking de Competitividade dos Estados. Esse pilar reúne sete indicadores utilizados para avaliar aspectos relacionados às condições econômicas e ao mercado consumidor das unidades da federação.
O Ranking de Competitividade dos Estados é publicado pelo CLP desde 2011 e conta com pesquisa técnica da Tendências Consultoria. O estudo reúne indicadores para comparar o desempenho das unidades da federação em diferentes áreas.
A metodologia oficial do CLP também prevê a padronização dos indicadores em uma escala de 0 a 100, permitindo comparar resultados de diferentes estados. No caso da inadimplência, o desempenho é avaliado de forma inversa: percentuais mais elevados representam resultados menos favoráveis.
Gastar de forma irresponsável é o problema, aponta economista
Para o economista José Alves de Azevedo , o brasileiro está ganhando mais, o desemprego está baixo e, com isso, as pessoas estão consumindo mais. O problema, para ele, é que muitas acabam gastando além do que podem pagar, aumentando o endividamento, especialmente porque os juros no Brasil estão muito altos.
“Hoje, no Brasil, estamos vivendo um cenário de baixo desemprego, com uma taxa de 5%. A renda média do brasileiro aumentou, segundo o IBGE, assim como o salário mínimo, e, com isso, a população passou a consumir mais. O grande problema é que, sem organização e educação financeira, esse aumento do consumo pode levar ao endividamento. Temos ainda um agravante: os juros estão muito altos. No cartão de crédito, ultrapassam 400% ao ano. Isso não é uma taxa de juros. O cartão de crédito, na verdade, se transformou em um agiota institucional. O crédito no Brasil está muito caro, também em função da conjuntura econômica internacional.”

Para melhorar esse cenário, o economista defende que o governo controle melhor seus gastos, reduza privilégios, como supersalários e benefícios fiscais concedidos a determinados setores, sem prejudicar a população mais pobre.
“O Brasil precisa reestruturar os gastos públicos e fazer um ajuste fiscal, mas sem prejudicar aqueles que ganham menos. Temos supersalários e renúncias fiscais que chegam a quase R$ 1 trilhão no orçamento da União. É preciso reduzir esses benefícios, em vez de fazer ajustes em cima do BPC e dos aposentados. Com as contas públicas equilibradas, criamos condições para reduzir os juros, fortalecer o setor produtivo e gerar mais emprego e renda”, explicou
Segundo ele, esse ajuste ajudaria a criar condições para a redução dos juros, facilitando o acesso ao crédito e estimulando a geração de empregos e renda.
“O desemprego hoje está muito baixo, a economia brasileira está aquecida e o poder aquisitivo da população aumentou. Por consequência, os brasileiros passaram a consumir mais e acabaram se endividando, o que é um ponto negativo. Dívida não é bom para ninguém. Você deve consumir aquilo que pode pagar”, concluiu.
E como está Campos?
Em Campos dos Goytacazes e região, a inadimplência também apresenta números preocupantes. Segundo levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campos (CDL Campos), o valor das dívidas registradas na base do SPC Brasil administrada pela entidade atingiu o recorde de R$ 62,8 milhões em outubro de 2026, distribuídos em 48.096 registros. Em comparação com setembro, houve aumento de R$ 1,12 milhão, equivalente a 1,81%, reforçando o cenário de crescimento das dívidas em atraso na região.





