O candidato ao governo do Estado do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), anunciou nesta quarta-feira (2) a criação de cinco Centros de Operações voltados ao monitoramento de eventos climáticos extremos e à prevenção de enchentes e deslizamentos em diferentes regiões do estado. A proposta foi apresentada durante visita ao bairro Alto da Serra, em Petrópolis, na Região Serrana, uma das áreas mais afetadas historicamente por temporais.
Segundo Paes, a ideia é levar para outras regiões do estado um modelo semelhante ao Centro de Operações Rio (COR), estrutura criada durante sua primeira gestão à frente da Prefeitura do Rio. Um dos cinco centros seria instalado na Região Serrana, com monitoramento permanente das condições climáticas e geológicas, além de sistemas de alerta e treinamento das comunidades.
“Vamos construir cinco Centros de Operações espalhados pelo estado. Um na Região Serrana para que a gente esteja permanentemente monitorando o risco, treinando a comunidade, com sirenes e radares próprios. Precisamos monitorar constantemente, observar e agir”, afirmou.
O candidato também defendeu a realização de obras estruturais para reduzir os impactos das chuvas. Entre as intervenções citadas estão contenções de encostas, construção de canais extravasores e melhorias nos sistemas de drenagem para aumentar a capacidade de escoamento da água.
Acompanhado do candidato ao Senado Pedro Paulo (PSD), Paes conversou com moradores do Alto da Serra e afirmou que, caso seja eleito, pretende realizar um levantamento imediato das áreas consideradas de risco geotécnico em todo o estado.
“Precisamos saber aquilo que pode ficar e aquilo que precisa de obra de contenção”, disse.
Paes também criticou a demora na reconstrução de moradias destruídas por tragédias anteriores. Segundo ele, ainda existem famílias atingidas pelas chuvas de 2011 e 2022 que dependem de aluguel social.
“É um absurdo que vítimas das chuvas de 2011 e 2022 ainda estejam recebendo aluguel social e que as suas casas não estejam prontas ainda”, declarou.
Petrópolis ainda convive com marcas das tragédias
A escolha de Petrópolis para apresentar as propostas ocorre em uma cidade marcada por sucessivas tragédias provocadas por fortes chuvas. Em fevereiro de 2022, o município foi atingido por um dos episódios mais graves de sua história recente.
O bairro Alto da Serra esteve entre as áreas mais afetadas. No Morro da Oficina, um deslizamento de grandes proporções provocou dezenas de mortes e deixou moradores soterrados. Ao todo, pelo menos 66 pessoas morreram na tragédia, que levou o município a decretar estado de calamidade pública.
Para Paes, a prevenção precisa combinar monitoramento permanente, preparação das comunidades e obras de infraestrutura.
Modelo adotado no Rio
A proposta apresentada pelo candidato tem como referência o Centro de Operações Rio, criado em 2010 após episódios de fortes chuvas que atingiram a capital. A estrutura reúne informações de diferentes órgãos e permite o acompanhamento de condições meteorológicas e situações de emergência.
Durante sua gestão no município, Paes também ampliou a rede de sirenes em áreas de risco e promoveu obras de contenção de encostas, drenagem e controle de enchentes.
Segundo dados apresentados pela campanha, entre 2021 e 2025, a Prefeitura do Rio investiu R$ 5,4 bilhões no chamado Plano Verão. No período, foram concluídas 392 obras, enquanto outras 151 estavam em andamento ou em fase de contratação.
Entre as intervenções estão obras de contenção de encostas, drenagem e prevenção de alagamentos, além de grandes projetos estruturais voltados à redução dos impactos das chuvas.
A política de prevenção também passou a incorporar ações relacionadas às mudanças climáticas e às ondas de calor. Atualmente, o COR reúne informações meteorológicas, dados de radares, pluviômetros e estações meteorológicas para acompanhar a ocorrência de chuvas, raios e riscos de deslizamentos.
Na capital, a rede de sirenes chegou, em 2026, a 165 equipamentos distribuídos por 103 comunidades, além de 225 pontos de apoio. A Defesa Civil também realizou centenas de simulados de desocupação para preparar moradores de áreas consideradas vulneráveis.
A proposta de Paes para o governo estadual é ampliar esse modelo para outras regiões do Rio, especialmente áreas que historicamente sofrem com enchentes, deslizamentos e outros eventos climáticos extremos.




