As candidaturas de Augusto Cury e Renan Santos podem representar um fenômeno eleitoral semelhante ao observado em outras disputas presidenciais. Com estilos diferentes, os dois têm potencial para alcançar parcelas do eleitorado que não se sentem representadas pelos nomes tradicionais nem pela polarização política.
Em 1994, Enéas Carneiro recebeu mais de 4 milhões de votos e terminou a eleição presidencial na terceira colocação. O resultado foi conquistado em uma época sem internet, redes sociais ou ferramentas digitais de mobilização.
Mais recentemente, em 2018, Cabo Daciolo também surpreendeu ao terminar à frente de candidatos com maior estrutura e projeção nacional, como Marina Silva e Henrique Meirelles.
Augusto Cury aposta em um discurso moderado e equilibrado, direcionado principalmente aos eleitores cansados do confronto permanente entre os principais grupos políticos. A mensagem pode encontrar espaço entre aqueles que buscam uma alternativa menos radical.
Renan Santos segue uma estratégia diferente. Conhecedor da dinâmica das redes sociais, utiliza uma comunicação direta, provocativa e adaptada à linguagem dos algoritmos. Sua capacidade de transformar temas políticos em conteúdos de grande circulação pode ampliar significativamente o alcance da candidatura.
Embora ainda estejam fora do grupo dos favoritos, Augusto Cury e Renan Santos não devem ser subestimados. O histórico das eleições brasileiras mostra que candidaturas alternativas, quando conseguem estabelecer uma identidade clara com o eleitorado, podem superar expectativas e conquistar votações expressivas.




