Há exatamente um ano, a ida de Thiago Pampolha para o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) provocava uma das maiores reconfigurações políticas recentes do Rio de Janeiro. O movimento, que à época parecia uma mudança institucional e estratégia de grupo, acabou desencadeando efeitos profundos no xadrez do poder fluminense.
Com a saída de Pampolha da vice-governadoria, abriu-se uma disputa silenciosa — mas intensa — sobre sucessão, alianças e equilíbrio de forças dentro do governo estadual e entre os principais grupos políticos do estado.
A mudança mexeu diretamente com os planos eleitorais para 2026. Sem Pampolha no jogo majoritário, o cenário passou a ser redesenhado por atores como o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, o então prefeito do Rio, Eduardo Paes, setores ligados ao bolsonarismo e diferentes grupos do centro político fluminense.
No campo governista, a movimentação fortaleceu o protagonismo de Bacellar, que ampliou sua centralidade institucional e política. Ao mesmo tempo, abriu espaço para rearranjos entre partidos, lideranças regionais e setores empresariais atentos à sucessão estadual.
Do ponto de vista prático, o Rio viveu, ao longo desse período, uma sucessão de episódios que poucos imaginavam há um ano. A crise envolvendo o afastamento do governador Cláudio Castro e de Bacellar, a interinidade no Palácio Guanabara com o desembargador Ricardo Couto, transformaram o ambiente político estadual em um cenário de permanente rearranjo.
A ida de Pampolha ao TCE ajudou, na verdade, a inaugurar uma nova fase da política fluminense.
No Rio, raramente uma peça deixa o tabuleiro sem alterar toda a partida.





