Policiais civis da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) deflagraram, nesta terça-feira (18), a Operação Golpe de Fé, para desarticular uma organização criminosa especializada em aplicar golpes financeiros e lavar dinheiro por meio de um falso banco digital vinculado a uma igreja evangélica. Foram cumpridos 39 mandados de busca e apreensão contra 12 alvos no Rio de Janeiro e em São Paulo. A Justiça também autorizou o bloqueio de R$ 8 milhões e a apreensão de bens de luxo.
A ação tem como objetivo cumprir mandados de busca e apreensão contra integrantes do esquema, que prometia rendimentos de até 10% ao mês e teria causado prejuízo superior a R$ 1 milhão. As diligências são realizadas em endereços na capital fluminense, em Niterói, São Gonçalo e Duque de Caxias, além da capital paulista, com apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE).
As investigações apontaram que o líder de uma igreja evangélica, que inicialmente funcionava em São Gonçalo e atualmente está instalada em Niterói, utilizava a posição de liderança religiosa para conquistar a confiança de fiéis e de outras pessoas de sua rede de influência. De acordo com as apurações, ele convencia as vítimas a investir em uma plataforma operada por uma empresa conhecida entre os investidores como “Banco do Pastor”, sob a promessa de rendimentos de aproximadamente 10% ao mês sobre os valores aplicados.
Após a captação dos recursos, os rendimentos prometidos deixaram de ser pagos, inicialmente sob diferentes justificativas, até que as restituições foram completamente interrompidas. Os agentes identificaram, até o momento, pelo menos sete registros de ocorrência relacionados ao mesmo esquema, com prejuízo estimado em aproximadamente R$ 1,11 milhão. A investigação, no entanto, aponta que a estrutura era mais complexa do que uma simples captação irregular de investimentos. As diligências revelaram a existência de uma organização criminosa com divisão de tarefas entre captadores de clientes, operadores financeiros e pessoas físicas e jurídicas utilizadas para administrar e movimentar os recursos obtidos das vítimas.
O quadro societário da empresa responsável pelo suposto banco digital virou um ponto de atenção. O capital social declarado era de R$ 5 milhões, mas alguns dos sócios registrados não apresentavam capacidade financeira compatível com os valores envolvidos. Segundo os agentes, esse cenário indica a possível utilização de interpostas pessoas para ocultar os verdadeiros controladores e beneficiários do negócio.
Os valores captados das vítimas teriam sido direcionados para contas pessoais do principal alvo e para empresas ligadas a ele, incluindo negócios dos setores de construção civil, laboratório, consultoria contábil e instituição de pagamentos. As apurações identificaram ainda uma conta de uma instituição de pagamentos que teria funcionado como uma espécie de “conta de passagem” do esquema. Somente nessa conta, foram registradas mais de R$ 5,4 milhões em operações classificadas como estornos.
A investigação apontou ainda a participação de integrantes do núcleo familiar do principal alvo na estrutura criminosa. A cônjuge e o filho dele figurariam como sócios de empresas utilizadas para movimentar recursos e realizar saques de grandes quantias em espécie.
As diligências continuam com o objetivo de aprofundar a apuração das conexões financeiras e patrimoniais entre os investigados, identificar outros possíveis envolvidos e recuperar ativos provenientes das atividades ilícitas.




