Um novo pacote de R$ 151,8 milhões foi anunciado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), principal instrumento do governo federal para o financiamento de projetos, destinado à restauração da Mata Atlântica, bioma mais biodiverso (que abrange até 35% de todas as espécies de plantas) e mais degradado do Brasil (presente em 17 estados do país, com apenas 29% de sua vegetação total remanescente). O investimento, que parte do Fundo Clima, financia um contrato firmado com a Tree Agroflorestal S.A. (Tree+), empresa brasileira de bioeconomia que se dedica a projetos de restauração ecológica.
A iniciativa deve se iniciar no norte do estado do Rio de Janeiro, região mais afetada pela perda da paisagem, onde a Mata Atlântica apresenta descontinuidade na distribuição de suas Florestas Ombrófilas (FO). O foco são os municípios de Quissamã, São Francisco de Itabapoana e Campos dos Goytacazes, com possibilidade de expansão para regiões ao sul do Espírito Santo e para a Zona da Mata Mineira, que também concentram faixas de vegetação do bioma.
Estima-se que a Mata Atlântica tenha perdido até 11,5% de sua vegetação nativa, o equivalente a 2,4 milhões de hectares de florestas, nos últimos 40 anos, para “abrir espaço para atividades humanas”, segundo levantamento do MapBiomas. Apesar disso, a recuperação florestal foi maior do que a perda entre 2005 e 2014, motivada por ações de conservação e replantio decorrentes de políticas públicas.
O projeto atual vai criar novas Áreas de Preservação Permanente, zonas protegidas por lei para a proteção de recursos naturais, além de Reservas Legais (que determinam a manutenção de cobertura de vegetação nativa em imóveis rurais) e outros espaços voluntários de preservação.
A intenção é estimular o retorno da fauna às regiões, e devem ser gerados até 800 empregos diretos e indiretos na fase de implantação do projeto, que mobilizará o plantio de sementes nativas, a construção de viveiros e outros serviços técnicos de manutenção.
O financiamento está alinhado, de acordo com o BNDES, ao Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e já mobilizou mais de R$ 7 bilhões em projetos de conservação florestal nos últimos três anos.
“O bioma Mata Atlântica abriga cerca de 20 mil espécies vegetais — aproximadamente 35% das espécies brasileiras, muitas delas endêmicas”, nota a Agência BNDES. “O financiamento reforça o papel do BNDES para posicionar o Brasil como referência global em restauração florestal.”
O bioma concentra até um terço de toda a agricultura em solo brasileiro. A expansão agropecuária e a ampliação da fronteira agrícola são os principais fatores de devastação ambiental. Soja e cana ocupam, juntas, cerca de 77% de toda a área agropecuária do país, segundo levantamento do MapBiomas.
Na Mata Atlântica, além da soja, os principais responsáveis pelo desmatamento associado às áreas de cultivo são a cana-de-açúcar e o café, que pressionam remanescentes de vegetação nativa.
Entre 2021 e 2024, mais de 285 mil campos de futebol em área ecológica foram recuperados no Brasil, de acordo com dados do Observatório da Restauração (OR), plataforma mantida pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, o que representou um crescimento de 158% na restauração, com investimento estimado em cerca de US$ 247 milhões (aproximadamente R$ 1,44 bilhão). O bioma que mais recebeu ações de regeneração foi a Mata Atlântica, seguida pelo bioma amazônico.
De acordo com a Agência BNDES, o novo projeto em parceria com o capital privado utilizará exclusivamente espécies nativas para a reconexão de fragmentos florestais e de habitats afetados.
*Com informações do Fórum





